Primeiro encontro
Um olhar afetuoso sobre primeiros encontros e o que acontece dentro de nós.
Antes de mergulhar no texto, deixa eu te contar uma coisinha: se você apertar o ❤️ aí em cima, em menos de um suspiro ajuda a minha news a chegar a mais pessoas - e ainda enche meu coração de alegria. 😁 E se você comentar no final, vixiii, aí meu coração fica gordo! 🥰 Obrigada por estar aqui — e boa leitura!
Segundo as previsões para o meu signo, Touro, 2026 será o ano para buscar novos estímulos e prazeres. Um tempo bom para ler mais, ir mais ao cinema, ao teatro, visitar galerias, circular entre pessoas. É hora dos taurinos se rodearem de beleza, gentileza e arte, tudo para alimentar e renovar a alma. Haja tempo para incluir tudo isso.
Pois bem. Estou tentando ir mais ao cinema, algo que adoro, mas confesso: às vezes bate uma preguicinha quando penso em todo o esforço que é sair de casa, abandonar meu sofá novo, pegar o carro ou um transporte e ir até lá.
Agora, ir ao cinema acompanhada é outra história, né? Tem estímulo extra. Seja com uma amiga ou com uma paquera. Porque além do filme, tem o encontro. E depois sempre vem aquela troca gostosa sobre cenas, diálogos, interpretações, mesmo quando são completamente diferentes das suas.
Apesar da loucura que foi janeiro, mês de 81 dias, consegui ir algumas vezes ao cinema. Acho que comecei o ano bem obediente às sugestões do zodíaco.
Um dos filmes que fui ver foi Primeiro Encontro. Uma amiga comentou que tinha assistido no fim do ano e garantiu que eu adoraria. Disse que era “muito a minha cara”. Acho curiosíssimo quando alguém diz isso e te indica algo como quem diz: isso aqui é você. Era fim de ano, aquela urgência meio apocalíptica de viver tudo antes do mundo acabar, e eu não consegui ir. Mas o filme ainda estava em cartaz nos cinemas cult da região da Paulista. Lá fui eu. Ou nós.
Primeiro Encontro é uma comédia italiana dirigida por Paolo Genovese, que teve os ingressos esgotados, em seu lançamento na Itália. A obra é inspirada na animação Divertida Mente, da Pixar, mas aqui as emoções têm corpo humano e conduzem um casal adulto. Ou seja: é um Divertida Mente pra gente grande.
Acompanhamos o primeiro encontro de Lara e Piero e tudo o que se passa dentro da cabeça deles. Sabe aqueles pensamentos, dúvidas e conflitos que surgem num date, mas que a gente nunca revela em voz alta? No filme, eles ganham vida. Com muito humor, a narrativa explora os mistérios e expectativas que moldam nosso comportamento quando estamos diante de alguém que ainda não sabemos se vai ficar ou ir embora da nossa vida.
O encontro acontece na casa de Lara. Piero chega com flores e sorvete. Enquanto ele decide qual postura adotar na porta - simpático, elegante, casual demais? - ela escolhe a luz do ambiente, confere se a saia está curta demais, se está curta de menos. Ela prepara uma lasanha, serve vinho. E enquanto aquele desconforto inicial paira no ar, as mentes dos dois estão a todo vapor.
Ao sentarem para jantar, ela pega as mãos dele e agradece a refeição como se fosse uma oração. Ele confessa ser budista. Bingo. Os dois compartilham um ingrediente indispensável para esse tipo de ocasião: senso de humor. Gosto muito de como Lara tenta ditar o rumo bem humorado da noite e de como Piero, aos poucos, vai entrando no clima.
Uma das minhas cenas preferidas (confesso, faço um esforço enorme de não entregar nada além do necessário, editei e reeditei esse texto centendas de vezes para não dar spoiller) é o momento em que a mente dele aparece pedalando numa bicicleta ergométrica. O ritmo começa contido e vai acelerando. Acelera mais um pouco. Tudo ritmado. E, de repente, já não é mais sobre pedaladas ou fôlego, é sobre intensidade.
A bicicleta vira metáfora. O corpo vira consequência. E quando o ápice chega, ele não é silencioso: explode, literalmente, na música Somebody To Love, do Queen (é MUITO boa essa cena). A melhor descrição para o… bom, aí você tem que ver para entender o que estou falando. Mas é um instante ímpar, como se, por alguns segundos, todas as emoções resolvessem cantar a mesma canção, em perfeito acordo, algo raríssimo de acontecer num primeiro encontro, seja no cinema ou na vida.
Em outro momento, já mais relaxados, eles se permitem silenciar os pensamentos a ponto de dizer o que realmente querem dizer. E aqui estou totalmente entregue ao filme, a ponto de elegê-lo como um dos meus preferidos já de 2026.
Obviamente fiquei pensando nos primeiros encontros e em como muitas vezes erramos tentando performar. Tentando falar a coisa certa, agir do jeito certo, nos comportar como quem está o tempo todo em teste. Quando, na verdade, os encontros mais surpreendentes, aqueles que costumam organizar uma festa em nós, costumam ser justamente aqueles em que você faz o que tem vontade e se deixa ser do jeitinho que é. Os sentimentos, claro, brigam entre si. Medo puxa pra um lado, ansiedade pra outro, confusão aperta o peito. Mas no meio desse empurra-empurra interno, você é só você. Com suas neuroses e desejos. Fazendo piadas ridículas. Sem julgamentos. Não tentando ser interessante a qualquer custo. Até porque, se esse encontro vingar, vai haver tempo de sobra para mostrar tudo o que você é. No fim, talvez o momento só precise ser isso: leve.
O filme é deliciosamente inteligente, espirituoso, cheio de humor e afeto. Podia ser apenas uma comédia romântica, mas vira uma imersão, nas nossas contradições, nos pensamentos que escondemos e na beleza meio desajeitada de tentar se conectar com alguém. Uma ode para viver encontros menos performáticos e mais honestos. E com a certeza de que, quando emoções diferentes resolvem cantar a mesma música, num ritmo perfeito, mesmo que por poucos minutos, é porque alguma coisa muito bonita pode acontecer.
Entre palavras e ideias
📩 um ano para desequilibrar pratinhos
Com afeto e coragem,
Gabi Miranda



Muito bom esse "Primeiro Encontro", Gabi.
Gabi, fiquei curiosa para ver o filme. Essa coisa de primeiro encontro é assim mesmo, os dois lados só querendo agradar. Você contando sobre o roteiro do filme me fez lembrar Woody Allen, quando ele explora os pensamentos dos casais.