Qual era mesmo seu super poder?
Uma crônica sobre o que permanece quando a conversa termina. Ou sobre aquilo que fica, mesmo quando não fica.
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— Qual super poder você gostaria de ter?
Perguntou-me a menina no caminho de volta pra casa.
Pensei em ganhar tempo, como se isso fosse um poder em si. Mas, antes de responder, fui levada a um outro momento. Um dia nosso. Será que você lembra?
Tentei recuperar a cena como quem quer agarrar um sonho ao acordar. Não consegui lembrar nem da minha resposta, nem da sua. Talvez eu tenha dito que queria estalar os dedos e surgir em outro lugar, a qualquer momento, me teletranspotar. Parece algo que eu diria. Mas não tenho certeza.
Do que lembro é que o seu poder era muito legal, muito melhor que o meu. E que, na mesma hora, eu quis trocar.
Você lembra?
Quase te escrevi. Só pra isso. Pra perguntar desse detalhe mínimo, como quem não quer nada - mas querendo. Você saberia, eu sei. Você sempre soube dessas coisas pequenas que escapam.
Aliás, pensando bem, talvez esse fosse o seu super poder: estar inteiro. Num tempo em que tudo se dispersa, você ficava. E via. Li outro dia um texto sobre linguagem do amor. Falava de atos de serviço, de presença, de cuidado. Fiquei pensando que, no seu caso, esse era seu super poder - atenção. Uma forma rara de generosidade. Não que eu não estivesse ali também. Mas você sabe… minha memória falha.
O meu super poder talvez seja enxergar magia em tudo.
Não enviei a mensagem.
Nem quando quis saber se o copo azul que passei a usar - desses que mantêm a água geladinha por mais tempo - veio de você.
Nem quando pintei o vaso de barro com espada-de-são-jorge e espada-de-santa-bárbara - você sabia que essa de verde e amarelo, juntos, têm esse nome?
Nem quando me peguei aceitando, em silêncio, aquela ideia sua: você propõe, eu escrevo. Comecei, inclusive. Um texto sobre brincar com a morte. Você pode dar pitacos.
Quase te escrevi pra falar.
Às vezes me pego pensando que não vou ser a pessoa com quem você vai passar a vida inteira, mas vou ser aquela que você vai lembrar do nada e pensar: que saudade eu tô daquela doida.
Também não te contei que a sua confissão, naquele último encontro, ficou ecoando mais do que eu esperava. Não era sobre o que foi dito - era sobre o tempo. Era sobre tanta coisa. Que inclusive, ninguém tem que nada.
Mas tudo bem. Nem tudo precisa caber no momento certo. O que poderia ter sido nunca garante o que realmente seria.
E nem toda pergunta precisa de resposta.
Ainda assim -
me diz,
qual era mesmo o seu super poder?
Entre palavras e ideias
Pra quem é novo por aqui: esse cantinho é dedicado aos conteúdos que consumi durante a semana, gostei muito e acho que vale a pena você consumir também. É basicamente meu histórico de abas abertas transformado em serviço público.
📩 Bilhetinhos e tesouros - fui profundamente tocada por esse texto. Primeiro porque também fiz o curso da Cris e desde então passei a colecionar domingos. Segundo porque me considero essa pessoa de acreditar em sinais, ver beleza em tudo - algo que era muito da minha mãe. Só leiam.
📩 A raiva não passa, ela se transforma - Lindo texto e um bom exercício pra gente fazer.
📩 Diabo veste prada 2 - me julguem, ainda não fui ver.
Com afeto e coragem,
Gabi Miranda



Ai que lindeza aparecer nas indicações ❤️😮💨
Oi, Gabi. Bonitinha a sua história. Pensei no quanto temos super poderes. E cada uma mais poderosa que a outra. Ser mãe de verdade é meio que expandir esses poderes.
Gostei do texto que vc indicou das borboletas. Assisti ao filme das 4 estações e adorei. Quanto ao Diabo veste Prada, assisti e achei legal, mas o 2 nunca é como o primeiro, né! Mas acho que vale assistir. É uma boa distração, coisa que precisamos para manter a nossa sanidade.